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01. ANTES DE COMEÇAR

12 de set.
3 min de leitura

Atualizado: 16 de set.

Quando foi que começamos a acreditar que existe um jeito certo de se viver?


Em que momento decidimos que deveríamos escolher uma profissão, uma cidade, uma casa, uma rotina, e então passar os próximos anos tentando fazer tudo aquilo funcionar?

Eu não comecei a pensar nessas coisas porque tinha uma resposta. Pelo contrário, comecei porque, após um acidente de bicicleta, nasci de novo e percebi que as respostas que eu tinha dado para mim mesma antes, já não eram mais suficientes.

Quanto tempo você já viveu sem realmente viver? Quanto tempo da sua vida passou como um robô, fazendo o que lhe foi programado ou o que era esperado?

Quantos dias desperdiçou se sentindo infeliz por estar naquele lugar, naquele emprego, naquele relacionamento? Quantas vezes o seu corpo falou com você, mostrando dia após dia que as escolhas que estava fazendo estavam te consumindo por dentro, te deixando doente física e mentalmente? E quantas vezes você não quis escutar, ou não entendeu que, na verdade, não era nada externo que estava fazendo aquilo com você, e sim você mesmo?

Talvez não tenhamos consciência de que não estamos vivendo o que realmente gostaríamos. Cegamente seguimos aquela receita de bolo que nos dão quando somos crianças, à risca. Sem errar uma pitada de sal ou açúcar sequer. Sem nos questionarmos, usamos as mesmas medidas, os mesmos ingredientes e fazemos o mesmo bolo com o mesmo sabor e consistência que todas as outras pessoas estão fazendo. Tudo igual. Entretanto, esquecemos que somos todos únicos e que não há uma fórmula mágica que sirva para todos. 

Na verdade, penso que às vezes é bom errar as medidas e adicionar um novo tempero. É aí que se cria algo novo e único, com a sua assinatura, feito pela sua alma. Se você é da geração do Cartoon Network (canal de televisão para transmissão de animações), foi assim que nasceram as Meninas Superpoderosas: com um erro do professor Utônio, que acidentalmente adicionou o ELEMENTO X. E o que seria esse elemento?

Diferentemente do desenho, é aquilo que está dentro de você, que sua alma grita pedindo incessantemente que você ouça e que tenha coragem o suficiente para ir viver. O elemento X é a sua essência. É o que torna você o ser único e especial, e que faz com que tudo aquilo que você decida colocar sua energia e dedicação, se transforme em algo maravilhosamente original e autêntico.

Demorou 29 anos para eu entender que as pessoas nesse planeta, sejam elas mais novas ou mais velhas, não possuem a fórmula da vida. Porque essa fórmula não existe. Demorei 29 anos para entender que nascemos e somos completamente livres para fazer o que quisermos nesse curto espaço de tempo que temos aqui e que chamamos de vida.

Acredito que sejamos apenas partículas de poeira existindo temporariamente nesse vasto universo. Nossa importância aqui é provavelmente MUITO menor do que nos fazem acreditar. Somos como estrelas que nascem, brilham, cumprem seu papel nessa imensidão escura, e depois morrem. E se isso for real, estamos brilhando nossas verdades e com a potência que poderíamos? Ou estamos desperdiçando o milagre que é estar vivo?

Um indivíduo que admiro muito, recentemente decidiu não seguir com a quimioterapia porque entendeu e aceitou que estava morrendo. Pepe Mujica fala em alguns vídeos na internet que a vida não é só trabalhar. Ele defende que precisamos deixar um bom capítulo para as loucuras que temos dentro de nossas cabeças, e que só somos livres quando gastamos tempo fazendo coisas que nos motivam, com causa e paixão.

Em um de seus vídeos que mais me marcou, ele diz:

“Em que gasta o tempo de sua vida: O milagre de ter nascido? Se não se perguntar, não se preocupe. O mercado vai responder isso por você e vai fazer você gastar dinheiro comprando coisas supérfluas e pagando contas até que seja um velho destruído. E tudo o que você compra, não compra com dinheiro. Você compra com o TEMPO DE VIDA que gastou para conseguir aquele dinheiro. Mas o tempo da vida não se repõe. A vida é uma aventura.”

Consumimos uma quantidade absurda de coisas que nunca vamos usar e poluímos o planeta sem nos questionarmos. Visando entreter nossas almas entediadas, continuamos com um modelo de vida fabricado e insustentável. Um modelo que nos faz acreditar que é necessário obter milhares de pedaços de papéis com valores inventados, que nos colocam em patamares sociais superiores ou inferiores.

Muitas vezes, quem tenta sair da corrida dos ratos é chamado de louco. Mas por essas e outras eu me questiono: quem são as pessoas realmente loucas nesse mundo?

Para entender como cheguei aqui, com todas essas perguntas, preciso voltar um pouco e contar como o meu acidente de bicicleta não só me salvou, mas também me deu uma nova chance para ter uma vida cheia de aventuras.

...E essa história continua no próximo post!

Beijo da Mawô! :)

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